Calendário de vacinação infantil 2026: rede pública e privada, por idade
O calendário completo do nascimento à adolescência, o que muda entre o SUS e a rede privada, e o que fazer quando uma dose atrasa.
O Calendário Nacional de Vacinação de 2026 começa na maternidade, com hepatite B e BCG, e segue com doses aos 2, 3, 4, 5, 6, 7, 9, 12 e 15 meses, reforços aos 4 anos e o HPV aos 9 anos. Na adolescência entram a dengue aos 10 anos, a meningocócica ACWY aos 11 e o reforço da dT aos 14. Tudo isso é gratuito em qualquer unidade básica de saúde, sem exceção e sem carteirinha de plano.
A rede privada não tem um calendário melhor — tem um calendário diferente em alguns pontos. Ela oferece duas ou três vacinas que a rede pública não oferece na rotina (a meningocócica B é a principal) e versões alternativas de vacinas que o SUS já dá: com mais sorotipos, com menos reação ou com menos picadas por visita. As tabelas abaixo mostram os dois calendários lado a lado, e o texto explica por que essa diferença existe — que quase nunca é o que se imagina.
Calendário conferido em 10 de agosto de 2026 nos documentos oficiais do Programa Nacional de Imunizações (Ministério da Saúde), no calendário da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e no calendário da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Todas as fontes estão abertas e linkadas no fim desta página. Calendário vacinal muda — se você está lendo isto muito depois desta data, confirme na sala de vacina ou na consulta do seu filho.
O calendário do SUS, do nascimento aos 9 anos
Esta é a tabela oficial do Ministério da Saúde para 2026, na faixa de 0 a 9 anos, 11 meses e 29 dias. Todas as vacinas listadas aqui são gratuitas nas unidades básicas de saúde.
| Idade | Vacina | Dose | Protege contra |
|---|---|---|---|
| Ao nascer | hepatite B | 1 dose | hepatite B e hepatite D |
| Ao nascer | BCG | dose única | formas graves e disseminadas da tuberculose; também tem efeito protetor contra a hanseníase |
| 2 meses | penta (DTP+Hib+HB) | 1ª dose | difteria, tétano, coqueluche, infecções pelo Haemophilus influenzae b e hepatite B |
| 2 meses | poliomielite inativada (VIP) | 1ª dose | poliomielite (paralisia infantil) |
| 2 meses | rotavírus humano | 1ª dose | diarreias agudas causadas pelo rotavírus 1 |
| 2 meses | pneumocócica conjugada 2 | 1ª dose | doenças pneumocócicas invasivas |
| 3 meses | meningocócica C | 1ª dose | doença meningocócica do sorogrupo C |
| 4 meses | penta (DTP+Hib+HB) | 2ª dose | difteria, tétano, coqueluche, Haemophilus influenzae b e hepatite B |
| 4 meses | poliomielite inativada (VIP) | 2ª dose | poliomielite |
| 4 meses | rotavírus humano | 2ª dose | diarreias agudas causadas pelo rotavírus 1 |
| 4 meses | pneumocócica conjugada 2 | 2ª dose | doenças pneumocócicas invasivas |
| 5 meses | meningocócica C | 2ª dose | doença meningocócica do sorogrupo C |
| 6 meses | penta (DTP+Hib+HB) | 3ª dose | difteria, tétano, coqueluche, Haemophilus influenzae b e hepatite B |
| 6 meses | poliomielite inativada (VIP) | 3ª dose | poliomielite |
| 6 meses | influenza trivalente | 1ª dose | influenza (gripe) 3 |
| 6 meses | covid-19 | 1ª dose | formas graves de covid-19 4 |
| 6 a 8 meses | febre amarela | 1 dose, em casos excepcionais | febre amarela 5 |
| 7 meses | covid-19 | 2ª dose | formas graves de covid-19 4 |
| 9 meses | covid-19 | 3ª dose | formas graves de covid-19 4 |
| 9 meses | febre amarela | 1 dose | febre amarela 5 |
| 12 meses | pneumocócica conjugada 2 | 1 dose de reforço | doenças pneumocócicas invasivas |
| 12 meses | meningocócica ACWY | 1 dose | doença meningocócica dos sorogrupos A, C, W-135 e Y |
| 12 meses | tríplice viral (SCR) | 1ª dose | sarampo, caxumba, rubéola e síndrome da rubéola congênita |
| 15 meses | DTP | 1º reforço | difteria, tétano e coqueluche |
| 15 meses | poliomielite inativada (VIP) | 1º reforço | poliomielite |
| 15 meses | tríplice viral (SCR) | 2ª dose | sarampo, caxumba, rubéola e síndrome da rubéola congênita |
| 15 meses | varicela | 1ª dose | varicela (catapora) 6 |
| 15 meses | hepatite A | 1 dose | hepatite A |
| 4 anos | DTP | 2º reforço | difteria, tétano e coqueluche |
| 4 anos | poliomielite inativada (VIP) | 2º reforço | poliomielite |
| 4 anos | varicela | 2ª dose | varicela (catapora) 6 |
| 4 anos | febre amarela | 1 dose de reforço | febre amarela 5 |
| 5 anos | pneumocócica 20-valente | 1 dose | doenças pneumocócicas invasivas — somente povos indígenas sem histórico de pneumocócica conjugada |
| 9 anos | HPV4 | 1 dose | infecções pelo papilomavírus humano 7 |
← Arraste a tabela para o lado para ver todas as colunas. A coluna da idade fica fixa.
- 1. Rotavírus tem idade-limite rígida. A 1ª dose vai de 1 mês e 15 dias até 11 meses e 29 dias; a 2ª, de 3 meses e 15 dias até 23 meses e 29 dias, com intervalo recomendado de 60 dias (mínimo de 30). Nas palavras do próprio calendário: caso a 1ª dose não seja recebida no período indicado, perde-se a oportunidade de vacinação contra o rotavírus. É a única do calendário infantil em que o atraso fecha a porta de vez.
- 2. A pneumocócica está em transição de fórmula. O calendário de 2026 já traz a 20-valente na 1ª dose e no reforço dos 12 meses, enquanto a Instrução Normativa vigente ainda descreve a 10-valente. O esquema em si — 2 doses (2 e 4 meses) mais um reforço aos 12 meses — não mudou. Qual fórmula está disponível na sua unidade é pergunta para a sala de vacina.
- 3. Influenza é todo ano. Crianças de 6 meses a menores de 6 anos devem ser vacinadas anualmente. Quem toma pela primeira vez recebe 2 doses com 30 dias de intervalo; quem já tomou em anos anteriores recebe 1 dose por ano.
- 4. Covid-19 em atraso é recuperada até 4 anos, 11 meses e 29 dias, com intervalo mínimo de 4 semanas entre a 1ª e a 2ª dose e de 8 semanas entre a 2ª e a 3ª.
- 5. Febre amarela dos 6 aos 8 meses é exceção, não rotina: vale quando há alto risco de contrair a doença e não dá para adiar, sempre com avaliação do serviço de saúde. Em caso de viagem, a vacina deve ser aplicada pelo menos 10 dias antes.
- 6. Varicela: se a vacina monovalente estiver indisponível, a tetraviral pode ser usada.
- 7. HPV em atraso é recuperado até 14 anos, 11 meses e 29 dias, o mais cedo possível. Entre 15 e 19 anos, a estratégia varia por estado.
Somando a tabela: são 16 vacinas diferentes do nascimento aos 9 anos, e nenhuma delas custa nada na rede pública.
Dos 10 aos 19 anos
O calendário não termina na infância. A parte que mais passa despercebida é justamente esta — e é a idade em que a criança já não vai à unidade de saúde com a mesma frequência.
| Idade | Vacina | Dose | Protege contra |
|---|---|---|---|
| 10 anos | dengue (DNG4) | 2 doses | dengue causada pelos sorotipos 1, 2, 3 e 4 |
| 11 anos | meningocócica ACWY | 1 dose | doença meningocócica dos sorogrupos A, C, W-135 e Y |
| 14 anos | dT | 3ª dose de reforço | difteria e tétano |
| Conforme histórico | HPV4 | 1 dose | infecções pelo papilomavírus humano |
| Conforme histórico | hepatite B | 3 doses | hepatite B e hepatite D |
| Conforme histórico | febre amarela | 1 dose | febre amarela |
| Conforme histórico | tríplice viral (SCR) | 2 doses | sarampo, caxumba, rubéola e síndrome da rubéola congênita |
| Conforme histórico | varicela | 2 doses | varicela — somente trabalhadores da saúde e povos indígenas sem história da doença |
| Conforme histórico | pneumocócica 20-valente | 1 dose | doenças pneumocócicas — somente povos indígenas sem histórico de pneumocócica conjugada |
← Arraste a tabela para o lado para ver todas as colunas. A coluna da idade fica fixa.
“Conforme histórico vacinal” quer dizer: quem já tomou não repete; quem não tomou toma agora. É por isso que a caderneta do adolescente merece a mesma atenção que a do bebê — e é ali que a maior parte das lacunas aparece.
Rede pública × rede privada: o que muda de verdade
Esta é a dúvida que quase ninguém responde direito, e a resposta curta é: o calendário público cobre tudo o que é essencial. A rede privada acrescenta algumas vacinas e oferece versões alternativas de outras. A tabela abaixo compara os dois, com base no calendário da SBIm — que é a sociedade científica que publica as recomendações da rede privada e marca, vacina por vacina, o que existe de graça e o que existe pago.
| Vacina | Na rede pública (gratuita) | Na rede privada |
|---|---|---|
| Meningocócica B | Não existe na rotina infantil | Disponível, a partir dos 3 meses |
| Dengue | A partir dos 10 anos | A partir dos 4 anos |
| Rotavírus | Monovalente, 2 doses | Pentavalente, 3 doses (2, 4 e 6 meses) |
| Difteria, tétano e coqueluche | Componente de células inteiras (DTPw), dentro da penta | Componente acelular (DTPa), em combinações penta e hexa — costuma dar menos reação |
| Poliomielite | VIP isolada nas 3 doses e nos reforços | Geralmente dentro das combinadas acelulares (penta, hexa, DTPa-VIP) — menos picadas por visita |
| Pneumocócica conjugada | A do calendário (2026 já traz a 20-valente); VPC13 nos CRIE para indicações específicas | VPC20, VPC15 e VPC13 |
| Meningocócicas ACWY / C | menC aos 3 e 5 meses, ACWY aos 12 meses e aos 11 anos | menC e menACWY, com esquemas e reforços mais amplos |
| Hepatite A | 1 dose aos 15 meses (até menores de 5 anos) | 2 doses, isolada ou combinada com hepatite B |
| Influenza | Trivalente (3V), para menores de 5 anos e grupos de risco | Trivalente e quadrivalente (4V) |
| HPV | HPV4, dose única, meninas e meninos de 9 a 14 anos | HPV9 |
| dTpa (acelular do tipo adulto) | Não na rotina infantil | Disponível, dTpa e dTpa-VIP |
| Covid-19 infantil | Gratuita, de 6 meses a 4 anos | Não é comercializada |
| Nirsevimabe (VSR) | No SUS desde fevereiro de 2026, para prematuros e crianças com comorbidades | Disponível para as demais crianças |
← Arraste a tabela para o lado para ver todas as colunas. A coluna da vacina fica fixa.
Por que algumas vacinas só existem na rede privada
Não é porque a rede pública seja descuidada. Uma vacina só entra no SUS depois de passar pela Conitec, a comissão nacional que avalia a incorporação de tecnologias no sistema — que analisa evidência, impacto epidemiológico e capacidade de fornecer aquela dose para todas as crianças do país, todos os anos. Uma clínica privada precisa comprar algumas centenas de doses. O SUS precisa garantir milhões.
O caso mais recente mostra bem o processo. O nirsevimabe — um anticorpo monoclonal contra o vírus sincicial respiratório, o principal causador de bronquiolite grave em bebês — foi aprovado pela Conitec em fevereiro de 2025 e passou a ser distribuído pelo SUS em fevereiro de 2026, antes da temporada do vírus. Não para todos: para prematuros nascidos com até 36 semanas e 6 dias e para crianças de até 24 meses com cardiopatia congênita, broncodisplasia, imunocomprometimento, síndrome de Down, fibrose cística, doença neuromuscular ou anomalias congênitas das vias aéreas. Quem está fora desses critérios só encontra na rede privada.
“O calendário público protege contra o que é grave. O calendário privado, quando faz diferença, acrescenta na margem — e para algumas crianças essa margem importa muito.”
É exatamente esse “para algumas crianças” que se decide numa consulta, olhando a criança: se ela é prematura, se frequenta creche, se tem irmão pequeno em casa, se tem alguma condição crônica, se a família vai viajar. Não existe resposta única — existe a resposta daquela criança.
O que cada vacina evita, e por que isso ainda importa
É comum ouvir que essas doenças não existem mais. Algumas de fato sumiram do Brasil — e sumiram por causa da vacinação, não apesar dela. O Ministério da Saúde registra que a poliomielite foi eliminada do país em 1994, o tétano neonatal deixou de ser problema de saúde pública em 2017 e os últimos casos de rubéola e de síndrome da rubéola congênita foram registrados em 2008 e 2009.
O sarampo conta a outra metade da história, e é a mais instrutiva. O Brasil recebeu a certificação de eliminação do sarampo em 2016. Com a queda das coberturas vacinais, o vírus voltou a circular e o país perdeu a certificação. Quando a cobertura da primeira dose da tríplice viral voltou a subir — 80,7% em 2022, 88,4% em 2023 e 92,3% em 2024 —, o Brasil recuperou o certificado de país livre do sarampo em 12 de novembro de 2024.
É uma relação de causa e efeito documentada, em duas direções, no mesmo país, em menos de dez anos. A vacina não é uma aposta: é o que segurou essas doenças fora do Brasil, e o que as trouxe de volta quando afrouxou.
Onde vacinar — e o que a Viva faz (e não faz)
A Viva Pediatria não tem sala de vacina e não aplica vacina. Dizemos isso logo, porque é a pergunta que chega no WhatsApp e a resposta muda o caminho da família.
A aplicação acontece em dois lugares:
- Na unidade básica de saúde (UBS), onde todo o calendário nacional é gratuito, para qualquer criança, com ou sem plano de saúde. É lá também que a Caderneta é carimbada e o registro entra no sistema nacional.
- Em clínicas privadas de vacinação, quando a família opta por alguma vacina que não está na rotina pública ou por uma versão combinada, para reduzir o número de picadas.
O que a Viva faz é a etapa anterior e a posterior: orientação e acompanhamento vacinal em consulta. Na prática, é abrir a caderneta junto com você, conferir dose por dose contra o calendário vigente, apontar o que está faltando, explicar o que fazer com o que atrasou e ajudar a decidir — para a sua criança, não para uma criança genérica — se alguma vacina da rede privada faz sentido.
A clínica tem uma infectopediatra na equipe, a Dra. Ludmilla Guilarducci (CRM 23857 · RQEs 15824 e 18207), cuja atuação inclui doenças infecciosas, febres recorrentes e acompanhamento vacinal. Ela e os demais 26 especialistas da infância atendem no mesmo endereço, no Setor Marista, em Goiânia.
E vale a ligação com a rotina: as consultas de rotina do primeiro ano caem justamente em cima das idades de vacinação — 2, 4, 6, 9 e 12 meses. Não é coincidência. As faixas do calendário de consultas foram escolhidas por coincidirem com os momentos de imunização, o que faz da consulta de rotina o lugar natural para revisar a caderneta.
A vacina atrasou. E agora?
Primeiro, a notícia que tira o peso das costas de muita gente: não se recomeça o esquema do zero. O Ministério da Saúde é explícito — esquemas de vacinação iniciados e devidamente registrados não devem ser recomeçados, sendo consideradas válidas todas as doses anteriores que tenham sido administradas na idade correta e respeitando os intervalos mínimos.
Segundo: não existe intervalo máximo entre as doses. Está escrito assim, em letras, no informe técnico do PNI sobre recuperação de esquema atrasado. Um intervalo de quatro anos entre duas doses não invalida a primeira. Retoma-se de onde parou.
Terceiro, e é aqui que mora a exceção importante: algumas vacinas têm idade-limite, e essa é uma porta que fecha.
- Rotavírus — 1ª dose até 11 meses e 29 dias, 2ª até 23 meses e 29 dias. Se a primeira não foi dada no prazo, perde-se a vacinação contra o rotavírus. É a mais implacável do calendário.
- Covid-19 infantil — recuperação até 4 anos, 11 meses e 29 dias.
- BCG — disponibilizada na rotina das salas de vacina da rede pública até 4 anos, 11 meses e 29 dias.
- HPV4 — recuperação até 14 anos, 11 meses e 29 dias; de 15 a 19 anos, a estratégia varia por estado.
Por isso a orientação oficial é a mesma em todos os documentos: atualizar o mais rápido possível. Não porque haja algo errado com quem atrasou, mas porque o tempo é a única variável que ninguém consegue recuperar depois.
Pode tomar mais de uma vacina no mesmo dia?
Pode. A Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação repete a mesma frase, vacina por vacina: ela pode ser administrada simultaneamente com as demais vacinas do Calendário Nacional de Vacinação, sem necessidade de qualquer intervalo. As injetáveis são aplicadas em locais diferentes do corpo.
Mais que permitido, é recomendado quando há atraso. A estratégia oficial do Ministério da Saúde para recuperar esquema atrasado tem exatamente duas pernas: administração simultânea de múltiplas vacinas em cada visita e uso dos intervalos mínimos entre as doses.
Sabemos que ver três ou quatro seringas de uma vez é difícil para qualquer mãe ou pai. Mas dividir as vacinas em várias visitas não reduz a reação — só aumenta o número de dias em que a criança fica exposta a uma doença que ela já poderia estar protegida contra.
Febre depois da vacina
Febre, dor e inchaço no local da aplicação estão entre os eventos esperados após a vacinação. Costumam ser leves, aparecem nas primeiras 24 a 48 horas na maioria das vacinas e passam sozinhos.
O ponto que quase todo mundo erra é o antitérmico preventivo. A Sociedade Brasileira de Pediatria não recomenda dar antitérmico antes da vacina ou por rotina depois dela: o paracetamol profilático pode reduzir a resposta imunológica a algumas vacinas, sobretudo nas primeiras doses. O remédio existe para o desconforto, quando ele aparece — não para o número no termômetro, e não como preparação.
Os sinais que pedem avaliação depois de uma vacina são os mesmos de qualquer febre em criança, e estão detalhados em febre em criança: quando se preocupar de verdade — com atenção redobrada para bebês com menos de 3 meses, em que febre sempre pede avaliação, tenha ou não vindo depois de uma vacina.
“Eu tenho dúvida. Isso me torna uma mãe ruim?”
Não. Perguntar é o oposto de descuidar.
Quem chega com receio quase nunca chegou lá por má-fé: chegou porque leu algo, ouviu de alguém, viu um vídeo, ou simplesmente porque segurar um bebê de dois meses enquanto ele leva quatro picadas é dolorido de um jeito que nenhum folheto resolve. Isso merece conversa, não sermão.
O que se pode dizer com honestidade, ancorado em fonte e não em tom de voz:
- Vacinas são seguras e salvam vidas, e eventos adversos são monitorados — no Brasil existe um sistema nacional de vigilância que notifica, investiga e esclarece cada um deles. Segurança de vacina não é uma afirmação de fé: é um sistema que roda, com números públicos.
- A maior parte das reações é leve: febre, dor e inchaço no local. Reações graves existem, são raras e são exatamente o que esse sistema de vigilância procura.
- Contraindicações reais existem — imunodepressão grave para vacinas de vírus vivo, reação de hipersensibilidade a uma dose anterior, quadros neurológicos em atividade no caso da penta e da DTP. Elas estão descritas nos documentos oficiais e são avaliadas caso a caso, por quem examinou a criança.
- O que a evidência não sustenta é a ideia de que adiar doses deixa a criança mais segura. Adiar não muda a reação — muda só o tempo em que ela fica desprotegida.
Se a sua dúvida ainda estiver de pé depois de ler isto, ela não deveria morrer numa página de internet. Ela deveria ir para a consulta, onde alguém olha a criança, olha a caderneta e responde para aquele caso.
O que levar quando for revisar a caderneta
- A Caderneta da Criança, com todos os carimbos — mesmo se estiver bagunçada, rasurada ou incompleta. Uma caderneta imperfeita é infinitamente mais útil que nenhuma.
- Qualquer comprovante de vacina feita na rede privada, que muitas vezes não está na mesma caderneta.
- A lista das dúvidas, escrita antes, para não sair da consulta lembrando do que esqueceu de perguntar.
As consultas da Viva, tanto na pediatria geral quanto nas especialidades, são particulares. Quem tem dúvida sobre convênio para o exame de ecocardiograma encontra as condições na página do Viva Eco. Para saber qual especialista procurar, manda mensagem antes de marcar.
Perguntas frequentes
Quais vacinas o SUS oferece de graça para crianças?
Todas as do Calendário Nacional de Vacinação. Em 2026, do nascimento aos 9 anos: hepatite B, BCG, penta (DTP+Hib+hepatite B), poliomielite inativada (VIP), rotavírus, pneumocócica conjugada, meningocócica C, influenza, covid-19, febre amarela, meningocócica ACWY, tríplice viral, DTP, varicela, hepatite A e HPV4. Dos 10 aos 19 anos entram a dengue, o reforço da meningocócica ACWY e a dT. São gratuitas em qualquer unidade básica de saúde.
Posso dar mais de uma vacina no mesmo dia?
Pode. A Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação repete, vacina por vacina, que ela pode ser administrada simultaneamente com as demais do calendário, sem necessidade de qualquer intervalo. Aplicar várias vacinas na mesma visita é inclusive a estratégia oficial do Ministério da Saúde para recuperar esquema atrasado. As injetáveis vão em locais diferentes do corpo.
A vacina atrasou. Precisa recomeçar o esquema do zero?
Não. Segundo o Ministério da Saúde, esquemas iniciados e devidamente registrados não devem ser recomeçados: todas as doses anteriores aplicadas na idade correta e com os intervalos mínimos continuam valendo. O mesmo documento afirma que não existe intervalo máximo entre as doses. Retoma-se de onde parou, o mais rápido possível.
Existe alguma vacina que, se atrasar, não pode mais ser tomada?
Sim, o rotavírus. A 1ª dose só pode ser aplicada de 1 mês e 15 dias até 11 meses e 29 dias de idade, e a 2ª de 3 meses e 15 dias até 23 meses e 29 dias. Se a 1ª dose não for dada nesse limite, a criança perde a oportunidade das duas. Outras têm idade-limite na rede pública: HPV4 até 14 anos, 11 meses e 29 dias, e covid-19 infantil até 4 anos, 11 meses e 29 dias.
Febre depois da vacina é normal?
Febre, dor e inchaço no local estão entre os eventos esperados após a vacinação e costumam ser leves e passageiros. O que a Sociedade Brasileira de Pediatria não recomenda é dar antitérmico de forma preventiva: o paracetamol profilático pode reduzir a resposta imunológica a algumas vacinas, sobretudo nas primeiras doses. Antitérmico se usa quando há desconforto, não por rotina.
Quais vacinas existem só na rede privada?
Pelo calendário da SBIm, a meningocócica B e a dTpa não fazem parte da rotina infantil gratuita, e a dengue é gratuita a partir dos 10 anos contra os 4 da rede privada. Há também versões diferentes de vacinas que o SUS já oferece: rotavírus pentavalente, combinadas acelulares, pneumocócicas 15 e 20-valente, influenza quadrivalente e HPV9. E há o caminho inverso: a covid-19 infantil é gratuita no SUS e não é comercializada na rede privada.
A Viva Pediatria aplica vacina?
Não. A Viva não tem sala de vacina e não aplica nenhuma vacina. A aplicação acontece nas unidades básicas de saúde, onde o calendário inteiro é gratuito, ou em clínicas privadas de vacinação. O que a Viva faz é a orientação e o acompanhamento vacinal em consulta: revisar a caderneta, identificar o que falta, orientar sobre atraso e ajudar a família a decidir o que vale a pena tomar na rede privada.
Fontes
- Ministério da Saúde. Calendário Nacional de Vacinação 2026 — Vacinas da Criança (0 a 9 anos, 11 meses e 29 dias). Acessar documento
- Ministério da Saúde. Calendário Nacional de Vacinação 2026 — Vacinas do Adolescente (10 a 19 anos, 11 meses e 29 dias) e do Jovem. Acessar documento
- Ministério da Saúde, Departamento do Programa Nacional de Imunizações. Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação 2025. Acessar documento
- Ministério da Saúde, Coordenação Geral do PNI. Informe Técnico — Estratégia de recuperação do esquema de vacinação atrasado de crianças menores de 5 anos de idade, 25/11/2020. Acessar documento
- Ministério da Saúde. Nota Técnica nº 109/2025-CGICI/DPNI/SVSA/MS — nirsevimabe para prevenção da infecção pelo vírus sincicial respiratório, 01/10/2025. Acessar documento
- Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). Calendário de Vacinação SBIm Criança — 2025/2026, atualizado em 08/05/2025. Acessar página
- Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Calendário de Vacinação da SBP — Atualização 2025/2026, 20/10/2025. Acessar página
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Abordagem da Febre Aguda em Pediatria, Documento Científico, maio de 2025 — sobre antitérmico profilático na vacinação. Acessar site da SBP
- Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS). Brasil recebe recertificação de país livre do sarampo, 12/11/2024. Acessar página
- Instituto Fernandes Figueira / Fiocruz — Portal de Boas Práticas. Eventos Adversos Pós-vacinação. Acessar página
Conteúdo produzido pela equipe da Viva Pediatria, com base nas fontes listadas acima. Nada aqui substitui a consulta: cada criança é diferente, e o diagnóstico depende da avaliação individual feita por um pediatra. Calendário conferido em agosto de 2026 — o Calendário Nacional de Vacinação é revisado periodicamente, e esta página é atualizada quando ele muda.