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Febre em criança: quando se preocupar de verdade

O termômetro diz que tem febre. Ele não diz se é grave. Quem diz isso é a criança — e há cinco ou seis sinais que mudam a conduta na hora.

Consultório de pediatria da Viva Pediatria, no Setor Marista, em Goiânia

Febre, pela referência da Sociedade Brasileira de Pediatria, é temperatura axilar igual ou superior a 37,5 °C — o que corresponde a 38 °C quando a medida é feita por via oral ou retal. Esse é o número. Só que o número, sozinho, não mede o tamanho do problema: a própria SBP afirma que a intensidade da febre não pode ser usada como indicador de infecção bacteriana grave.

O que decide é como a criança está. E existem situações que pedem atendimento na hora, não importa o que o termômetro marcou: bebê com menos de 3 meses com febre; manchas vermelhas ou roxas na pele que não somem quando você pressiona; dificuldade para respirar; rigidez de nuca; vômitos que não param; convulsão; ou uma criança apática, largadinha, que não responde como sempre responde.

O resto deste texto é para você entender por quê — e para tirar da cabeça algumas coisas que ainda se repetem de geração em geração e hoje não são recomendadas.

Febre não é doença. É o alarme.

A SBP é direta ao explicar isso para as famílias: “febre não é doença, é uma reação de defesa do nosso organismo, é um alarme ou um sinal que estamos sofrendo uma agressão”. A temperatura sobe porque o corpo está trabalhando — quase sempre contra um vírus banal.

Tratar o alarme não apaga o incêndio. Por isso a pergunta útil não é “quantos graus?”, e sim “como essa criança está enquanto está com febre?”.

“O termômetro conta o que está acontecendo. A criança conta o quanto isso importa.”

O que olhar antes do termômetro

A avaliação da criança com febre começa pelo estado geral. São coisas que dá para observar em casa, e que o pediatra vai perguntar:

  • Atividade e resposta. Ela para de brincar quando a febre sobe e volta a brincar quando cede? Isso é bom sinal. Ficar “largadinha” mesmo depois de a temperatura baixar, não.
  • Respiração. Está mais rápida, com esforço, com o peito afundando? A SBP considera sinal de alerta acima de 50 respirações por minuto entre 6 e 12 meses, e acima de 40 depois dos 12 meses.
  • Hidratação. Boca seca, choro sem lágrima, fralda seca há muitas horas, pele que demora a voltar ao lugar quando pinçada.
  • Cor da pele. Palidez importante, tons acinzentados ou arroxeados nos lábios e nas extremidades.
  • Manchas. Qualquer mancha vermelha ou roxa que não desaparece quando se pressiona a pele é emergência — é o sinal que o Ministério da Saúde associa à meningococcemia, a forma generalizada da infecção meningocócica.

Quando procurar atendimento na hora

Existem gatilhos que não admitem “vamos esperar até amanhã”:

  1. Bebê com menos de 3 meses com febre. A SBP orienta procurar atendimento se a temperatura passar de 38 °C ou ficar abaixo de 35,5 °C nessa faixa de idade. Nos primeiros 30 dias de vida, o protocolo pediátrico brasileiro prevê internação e exames — não é exagero, é a idade em que o exame clínico sozinho engana mais.
  2. Manchas na pele que não somem sob pressão.
  3. Convulsão, sonolência excessiva ou dificuldade de acordar.
  4. Rigidez de nuca — dificuldade de encostar o queixo no peito — ou dor de cabeça intensa e diferente do habitual.
  5. Dificuldade para respirar, gemência, respiração muito acelerada.
  6. Vômitos persistentes ou recusa de líquidos, com sinais de desidratação.
  7. Piora do estado geral mesmo depois de a febre ceder.

Fora dessa lista, febre com criança ativa, bebendo água e brincando entre um pico e outro costuma ser um quadro de acompanhamento, não de corrida.

O que fazer em casa

O antitérmico serve para conforto, não para zerar o termômetro. A SBP recomenda usá-lo quando a febre vem acompanhada de desconforto evidente — choro intenso, irritabilidade, queda da atividade, perda de apetite, sono ruim — e não a partir de um número combinado.

No Brasil, os antitérmicos disponíveis para crianças são paracetamol, dipirona e ibuprofeno. Dose e intervalo dependem de peso e idade, e quem define é o pediatra da criança. Além disso, mantenha a criança leve de roupa, ofereça líquido com frequência e deixe que ela durma o quanto quiser.

E o que não fazer

  • Não alterne nem combine antitérmicos. A SBP não recomenda: confunde quem cuida, aumenta o risco de superdosagem e não é melhor do que usar um só.
  • Nada de ácido acetilsalicílico (AAS). Não é recomendado em crianças pelo risco de síndrome de Reye.
  • Banho frio, compressa gelada, álcool na pele: não. Os métodos físicos não são recomendados fora dos casos de hipertermia (temperatura central igual ou acima de 40 °C com alteração neurológica) e só aumentam o desconforto.
  • Não dê antitérmico antes da vacina “para prevenir”. Há evidência de que o paracetamol profilático pode reduzir a resposta a algumas vacinas, especialmente nas primeiras doses. Mais sobre isso em calendário de vacinação infantil.
  • Não use antitérmico para tentar evitar convulsão febril. A revisão citada pela SBP não encontrou diferença entre antitérmico preventivo e placebo.

Febre que não passa: quando investigar

Quando a febre dura alguns dias e o exame não encontra a origem, a pediatria chama isso de febre sem sinais de localização — febre com menos de sete dias em uma criança cuja história e exame físico não revelaram a causa. É uma situação comum e tem protocolo próprio, que varia conforme a idade e o estado da criança.

Não é a família que precisa resolver esse quebra-cabeça. É o momento de sentar com o pediatra que acompanha a criança e olhar a curva inteira: quantos dias, que padrão, o que veio junto, o que já foi feito. Consulta sem pressa resolve mais aqui do que exame pedido às cegas.

Onde a Viva entra nisso

A Viva Pediatria fica no Setor Marista, em Goiânia, e reúne 26 especialistas da infância sob o mesmo teto — pediatria geral e as especialidades pediátricas no mesmo endereço. Na prática, quando uma febre repetida precisa de um olhar de outra área, a criança não recomeça a história do zero em outro lugar.

Se a dúvida é sobre uma febre que está acontecendo agora e algum sinal desta lista apareceu, não espere consulta: procure um pronto-socorro pediátrico. Para acompanhamento, rotina e febres que se repetem, fale com a gente pelo WhatsApp.

Perguntas frequentes

A partir de quantos graus é febre em criança?

Temperatura axilar igual ou superior a 37,5 °C, pela referência da SBP — o equivalente a 38 °C se a medida for oral ou retal. Em bebês com menos de um ano, a recomendação é usar só termômetro digital na axila.

Febre alta significa doença grave?

Não necessariamente. A SBP afirma que a intensidade da febre não serve como indicador de infecção bacteriana grave, fora do caso específico de bebês com menos de 3 meses com alterações laboratoriais. O que orienta é o estado geral.

Quando levar a criança ao pronto-socorro por febre?

Bebê com menos de 3 meses com febre; manchas na pele que não somem sob pressão; dificuldade para respirar; rigidez de nuca; vômitos persistentes; convulsão; sonolência excessiva ou apatia; recusa de líquidos com sinais de desidratação.

Pode alternar paracetamol e ibuprofeno?

Não. A SBP não recomenda o uso alternado nem associado de antitérmicos — confunde quem cuida, aumenta o risco de superdosagem e não é melhor que usar um medicamento só.

Banho frio ou compressa de álcool ajudam?

Não. Os métodos físicos não são recomendados fora dos casos de hipertermia (temperatura central de 40 °C ou mais com alteração neurológica). Em febre comum, só aumentam o desconforto.

Dar antitérmico antes da vacina previne febre?

Não é recomendado. Há evidência de que o paracetamol profilático pode reduzir a resposta imunológica de algumas vacinas, sobretudo nas primeiras doses. O antitérmico entra depois, se houver desconforto.

Fontes

  1. Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamentos Científicos de Pediatria Ambulatorial e de Infectologia. Abordagem da Febre Aguda em Pediatria e Reflexões sobre a febre nas arboviroses. Documento Científico, maio de 2025. Acessar documento
  2. Sociedade Brasileira de Pediatria. Febre: cuidado com a febrefobia. Pediatria para Famílias. Acessar página
  3. Sociedade Brasileira de Pediatria. Manejo da Febre Aguda. Documento científico, 2021. Acessar página
  4. Ministério da Saúde. Meningite — sintomas. Acessar página
Sobre este conteúdo

Conteúdo produzido pela equipe da Viva Pediatria, com base nas fontes listadas acima. Nada aqui substitui a consulta: cada criança é diferente, e o diagnóstico depende da avaliação individual feita por um pediatra.

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