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Sopro no coração da criança: quando investigar

O pediatra ouviu um sopro e a consulta virou um susto. Na maioria das vezes, não é doença — e o que decide isso não é o barulho, é o que vem junto.

Sala de ecocardiograma do Viva Eco, na Viva Pediatria, Setor Marista, Goiânia

Sopro é um som a mais que o pediatra escuta no estetoscópio quando o sangue passa pelo coração. E ele é comum: a Sociedade Brasileira de Pediatria registra que entre 50% e 70% das crianças apresentam sopro cardíaco em algum momento da infância ou da adolescência, a maioria na idade escolar. Na maior parte dos casos ele é classificado como inocente ou benigno — ou seja, não significa e não está associado a nenhuma doença.

O que separa um sopro do outro não é o volume do som. É o que vem junto. A SBP descreve o sopro patológico como aquele associado a outras manifestações: arritmia, dificuldade em ganhar peso, sinais de cansaço, respiração rápida, cianose e pneumonias de repetição. Quando resta dúvida, o exame que fecha o diagnóstico é o ecocardiograma com mapeamento de fluxo em cores.

O que é um sopro, em português

O coração faz dois sons quando bate — o famoso “tum-tá”, das válvulas fechando. Sopro é um ruído que aparece entre esses sons, produzido pelo sangue em movimento. Ele pode surgir porque existe um defeito na estrutura do coração, mas também pode aparecer num coração perfeitamente normal, só pelo jeito como o sangue corre naquela criança, naquele dia.

Por isso o achado, sozinho, não é diagnóstico. É o começo de uma pergunta.

“Sopro é um som. Doença é um conjunto. Quem escuta com calma consegue separar os dois na própria consulta.”

Sopro inocente: o mais comum de todos

O sopro inocente é o achado mais frequente em crianças saudáveis e, segundo a SBP, costuma ser reconhecido com anamnese completa e exame físico — quer dizer, ouvindo a história da criança e examinando com atenção. Nesses casos, a orientação é tranquilizar a família e acompanhar, evitando exame desnecessário e a carga de ansiedade que ele traz junto.

Quem decide isso é o pediatra que examinou a criança. A própria SBP coloca nas mãos dele a escolha entre encaminhar ao cardiologista pediátrico, pedir o ecocardiograma, ou as duas coisas.

Quando o sopro pede investigação

Estes são os sinais que, acompanhando um sopro, mudam a conduta:

  • Dificuldade em ganhar peso — a curva de crescimento que não sobe como deveria.
  • Cansaço fora do comum, inclusive durante as mamadas, com suor e pausas frequentes.
  • Respiração rápida em repouso. No recém-nascido, a SBP considera sinal de alerta uma frequência respiratória acima de 70 por minuto, mesmo sem cianose.
  • Cianose — lábios, língua ou extremidades com tom azulado ou arroxeado.
  • Arritmia cardíaca.
  • Pneumonias de repetição.

Nenhum desses sinais é para a família diagnosticar sozinha. São exatamente as coisas que valem a pena contar ao pediatra na consulta seguinte, com data e detalhe.

E se o teste do coraçãozinho deu normal?

O teste do coraçãozinho é a oximetria de pulso feita na maternidade, na mão direita e em um dos pés do bebê, e faz parte da triagem neonatal do SUS desde a incorporação pelo Ministério da Saúde em 2014. Ele é ótimo no que se propõe — e é importante entender o que ele não se propõe a fazer.

O manual da SBP é literal nesse ponto: “um teste do coraçãozinho negativo não exclui completamente a presença de cardiopatia congênita”. O teste tem sensibilidade de 76% e especificidade de 99% e serve para rastrear as cardiopatias críticas, aquelas que dependem de diagnóstico nas primeiras horas de vida. Se houver diagnóstico fetal ou sinal clínico sugestivo, a avaliação cardiológica é feita de qualquer maneira.

Há um motivo concreto para isso: bebês com cardiopatias críticas podem estar assintomáticos nas primeiras 48 horas de vida e receber alta sem que se levante a suspeita, o que a literatura citada pela SBP estima ocorrer em até 30% dos casos.

Quantas crianças de fato têm cardiopatia congênita

As cardiopatias congênitas representam cerca de 30% de todas as malformações congênitas e têm incidência em torno de 9,4 casos a cada 1.000 nascidos vivos (IC 95%: 8,6–10,2), segundo o estudo epidemiológico citado no manual da SBP. As que se manifestam já no período neonatal, em geral as mais graves, ficam em torno de 3 a cada 1.000.

Colocando lado a lado: sopro é achado de mais da metade das crianças; cardiopatia congênita está na casa de 1%. A distância entre os dois números é a razão pela qual a maior parte dos sopros termina em alívio, não em tratamento.

Como é o ecocardiograma pediátrico

É um ultrassom do coração. A SBP descreve o ecocardiograma com mapeamento de fluxo em cores como o método de escolha para o diagnóstico definitivo das cardiopatias congênitas, capaz de dar informação precisa sobre a anatomia do defeito e a função do coração — e o classifica como um exame não invasivo, de baixo custo e de fácil reprodutibilidade.

Na prática, para a criança, é parecido com qualquer ultrassom: gel, transdutor deslizando no peito, nenhuma agulha e nenhuma radiação.

O que fazer se o pediatra ouviu um sopro

Primeiro, não tratar como emergência se não houver nenhum dos sinais da lista acima. Depois, seguir a orientação de quem examinou: pode ser acompanhamento, pode ser encaminhamento ao cardiopediatra, pode ser o ecocardiograma. E anotar o que você observa em casa — cansaço nas mamadas, suor, pausas, coloração — porque é isso que dá contexto ao som.

Na Viva Pediatria, no Setor Marista, em Goiânia, a cardiopediatria fica no mesmo endereço da pediatria geral: o Viva Eco faz ecocardiograma pediátrico e fetal, e você pode ver quem realiza o exame antes de agendar. Se a dúvida é sobre o coração do bebê ainda na gestação, o caminho é o ecocardiograma fetal.

Perguntas frequentes

Sopro no coração de criança é grave?

Na maioria das vezes, não. A SBP registra que entre 50% e 70% das crianças apresentam sopro em algum momento da infância ou da adolescência, e que na maior parte dos casos ele é inocente: não significa e não está associado a nenhuma doença.

Quando o sopro é sinal de alerta?

Quando vem acompanhado. A SBP descreve o sopro patológico como o que se associa a outras manifestações: arritmia, dificuldade em ganhar peso, sinais de cansaço, respiração rápida, cianose e pneumonias de repetição. É o conjunto que orienta, não a intensidade do som.

Todo sopro precisa de ecocardiograma?

Não. Pela SBP, cabe ao pediatra decidir se encaminha ao cardiologista pediátrico, se pede o ecocardiograma, ou as duas coisas. O sopro inocente costuma ser reconhecido pela história clínica e pelo exame físico, o que evita exame desnecessário.

Qual exame confirma se o coração da criança está bem?

O ecocardiograma com mapeamento de fluxo em cores. A SBP o descreve como o método de escolha para o diagnóstico definitivo das cardiopatias congênitas, com informação precisa sobre anatomia e função do coração. É não invasivo, de baixo custo e de fácil reprodutibilidade.

O teste do coraçãozinho normal descarta problema no coração?

Não descarta. O manual da SBP afirma que um teste do coraçãozinho negativo não exclui completamente a presença de cardiopatia congênita: ele tem sensibilidade de 76% e especificidade de 99% e rastreia as cardiopatias críticas. Havendo diagnóstico fetal ou sinal clínico, a avaliação cardiológica é feita mesmo com o teste normal.

Quantos bebês nascem com cardiopatia congênita?

Cerca de 9,4 casos a cada 1.000 nascidos vivos, segundo estudo epidemiológico citado no manual da SBP. As que se manifestam já no período neonatal, geralmente as mais graves, ficam em torno de 3 a cada 1.000.

Fontes

  1. Sociedade Brasileira de Pediatria. “Meu filho tem um sopro cardíaco”. Pediatria para Famílias. Acessar página
  2. Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento Científico de Cardiologia. Sistematização do atendimento ao recém-nascido com suspeita de cardiopatia congênita. Manual de Orientação. Acessar documento
  3. Sociedade Brasileira de Pediatria. Novo documento científico aborda a avaliação da criança com sopro cardíaco. Acessar página
  4. Ministério da Saúde / CONITEC. Teste do coraçãozinho (oximetria de pulso) na triagem neonatal — incorporação ao SUS pela Portaria nº 20, de 10 de junho de 2014. Acessar registro
Sobre este conteúdo

Conteúdo produzido pela equipe da Viva Pediatria, com base nas fontes listadas acima. Nada aqui substitui a consulta: cada criança é diferente, e o diagnóstico depende da avaliação individual feita por um pediatra.

Precisa investigar
um sopro?

O Viva Eco faz ecocardiograma pediátrico e fetal no Setor Marista, em Goiânia, com cardiopediatras com formação USP/InCor.